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Bauman

O “pai” da “Modernidade Líquida”, grande pensador Zygmunt Bauman, faleceu nesta última segunda feira aos 91 anos, deixando um legado de mais de 50 livros em que se dedicou a analisar a fragilidade das relações na sociedade atual.

E este conceito de Modernidade Líquida, nada mais é, segundo Bauman, aquela em que nada mais é sólido: não é sólido o Estado-nação, nem a família, nem o emprego, nem o compromisso com a comunidade. A metáfora da liquidez ajuda a compreender como as transformações sociais não vão parar. E podemos perceber isso tanto nas instituições sociais quanto na fragilidade de nossos relacionamentos. Percebemos assim, um conceito que reflete bem os tempos atuais.

O sociólogo e filósofo nascido em Poznan, no oeste polonês, em 1925, que durante mais de meio século foi um dos mais influentes observadores da realidade social e política, defendia como ninguém que não é possível mudar o mundo por meio dos cliques, e relativizava o poder que se atribui às redes sociais, porque pensava que o verdadeiro diálogo só se produz nas interações com os diferentes, e não nessas “zonas de conforto” onde os internautas debatem com quem pensa igual a eles. As formas de vida moderna, segundo ele, se assemelham pela vulnerabilidade e fluidez, incapazes de manter a mesma identidade por muito tempo, o que reforça esse estado temporário das relações sociais.

Bauman serviu na Segunda Guerra Mundial, e, em seguida, fez parte do Partido Comunista Polaco. Anos mais tarde, formou-se em sociologia. Como professor na Universidade de Varsóvia, teve algumas de suas publicações censuradas e acabou afastado em 1968.

O sociólogo tem mais de trinta obras publicadas no Brasil, dentre as quais: “Amor Líquido”, “Globalização: as Consequências Humanas” e “Vidas Desperdiçadas. Tornou-se conhecido por suas análises do consumismo pós-moderno e das ligações entre modernidade e holocausto e recebeu os prêmios Amalfi em 1989, por sua obra “Modernidade e Holocausto” e Adorno em 1998, pelo conjunto de sua obra.